Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas
aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente.
Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra
com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.
(Questão 943 - Livro dos Espíritos)
Não; só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário importa numa transgressão desta lei.
a) Não é sempre voluntário o suicídio?
O louco que se mata não sabe o que faz.
(Questão 944 - Livro dos Espíritos)
É um suicídio moral. Não percebeis que, nesse caso, o homem é duplamente culpado? Há nele então falta de coragem e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.
a) Será mais, ou menos, culpado do que o que tira a si mesmo a vida por desespero?
É mais culpado, porque tem tempo de refletir sobre o seu suicídio. Naquele que o
faz instantaneamente, há, muitas vezes, uma espécie de desvairamento, que alguma coisa
tem da loucura. O outro será muito mais punido, por isso que as penas são proporcionadas
sempre à consciência que o culpado tem das faltas que comete.
(Questão 952 - Livro dos Espíritos)
Muito diverso do que esperam é o resultado que colhem. Em vez de se reunirem ao
que era objeto de suas afeições, dele se afastam por longo tempo, pois não é
possível que Deus recompense um ato de covardia e o insulto que lhe fazem com o
duvidarem da sua providência. Pagarão esse instante de loucura com aflições maiores do
que as que pensaram abreviar e não terão, para compensá-las, a satisfação que
esperavam. (934 e seguintes.)
(Questão 956 - Livro dos Espíritos)
Muito diversas são as conseqüências do suicídio. Não há penas determinadas e,
em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém,
uma conseqüência a que o suicida não pode escapar; é o desapontamento. Mas, a
sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta
imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso
interromperam.
(Questão 957 - Livro dos Espíritos)
A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Alguns há,
porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a conseqüência da interrupção
brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao
corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido,
ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se
desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente. As conseqüências deste estado de
coisas são o prolongamento da perturbação espiritual, seguindo-se à ilusão em que, durante
mais ou menos tempo, o Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos.
(155 e 165)
A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz, nalguns suicidas, uma
espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os
efeitos da decomposição, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado
esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção. Não é
geral este efeito; mas, em caso algum, o suicida fica isento das conseqüências da sua falta de
coragem e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu. Assim é que
certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência
precedente e submetido voluntariamente a novas provas, para tentarem suportá-las com
mais resignação. Em alguns, verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente
procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se
lhes conserva interdito. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois
que só decepções encontram.
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da
Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida.
Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr
termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que
sucumbiram, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei
moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois
que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam,
não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas.
(O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, 1. ed. especial, FEB.)
A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias materialistas, numa
palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral. Quando
homens de ciência, apoiados na autoridade do seu saber, se esforçam por provar aos
que os ouvem ou lêem que estes nada têm a esperar depois da morte, não estão de fato
levando-os a deduzir que, se são desgraçados, coisa melhor não lhes resta senão se
matarem? Que lhes poderiam dizer para desviá-los dessa conseqüência? Que
compensação lhes podem oferecer? Que esperança lhes podem dar? Nenhuma, a não
ser o nada. Daí se deve concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única
perspectiva, mais vale buscá-lo imediatamente e não mais tarde, para sofrer por
menos tempo.
A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a idéia do
suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes
doutrinas assumem tremenda responsabilidade. Com o Espiritismo, tornada impossível
a dúvida, muda o aspecto da vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente
para lá do túmulo, mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente
de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral.
ALLAN KARDEC - (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V,
item 16, 3. ed. especial, FEB.)
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